ENEM 2017 - Questão 12
ENEM 2017 - ID 2017012
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Questão 12
ENEM 2017 - 12 de 185
A língua tupi no Brasil
Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em tupi) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.
Derivado do dialeto de São Vicente, o tupi de São Paulo se desenvolveu e se espalhou no século XVII, graças ao isolamento geográfico da cidade e à atividade pouco cristã dos mamelucos paulistas: as bandeiras, expedições ao Sertão em busca de escravos índios. Muitos bandeirantes nem sequer falavam o português ou se expressavam mal. Domingos Jorge Velho, o paulista que destruiu o Ouilombo dos Palmares em 1694, foi descrito pelo bispo de Pernambuco como “um bárbaro que nem falar sabe”. Em suas andanças, essa gente batizou lugares como Avanhandava (lugar onde o índio corre), Pindamonhangaba (lugar de fazer anzol) e Itu (cachoeira). E acabou inventando uma nova língua. “
Os escravos dos bandeirantes vinham de mais de 100 tribos diferentes”, conta o historiador e antropólogo John Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas. “Isso mudou o tupi paulista, que, além da influência do português, ainda recebia palavras de outros idiomas.” O resultado da mistura ficou conhecido como língua geral do sul, uma espécie de tupi facilitado.
ÂNGELO, C. Disponível em: <http://super.abril.com.br>. Acesso em: 8 ago. 2012. (Adaptado).
O texto trata de aspectos sócio-históricos da formação linguística nacional. Ouanto ao papel do tupinaformação do português brasileiro, depreende-se que essa língua indígena
Contribuiu efetivamente para o léxico, com nomes relativos aos traços característicos dos lugares designados.
Originou o português falado em São Paulo no século XVII, em cuja base gramatical também está a fala de variadas etnias indígenas.
Desenvolveu-se sob influência dos trabalhos de catequese dos padres portugueses, vindos de Lisboa.
Misturou-se aos falares africanos, em razão das interações entre portugueses e negros nas investidas contra o Ouilombo dos Palmares.
Expandiu-se paralelamente ao português falado pelo colonizador, e juntos originaram a língua dos bandeirantes paulistas.
Central da questão
Revise, compare e aprenda com a resolução
Analise da questao
Análise pedagógica da questão 12 do ENEM 2017
Esta questão avalia leitura, interpretação e análise dos efeitos de sentido produzidos por escolhas linguísticas, recursos expressivos e contexto de circulação. O foco da avaliação está em transformar as informações do enunciado em uma interpretação consistente, reconhecendo o que o comando realmente pede e quais relações precisam ser construídas.
Conteúdos e habilidades cobrados
Dentro da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, a questão mobiliza língua portuguesa, gêneros textuais, funções da linguagem, argumentação, intertextualidade, variação linguística e leitura de textos verbais ou multissemóticos. Mais do que memorizar uma definição, o estudante precisa articular conceito, contexto e evidência para justificar a resposta.
Como interpretar o enunciado e as alternativas
A leitura deve partir do comando, pois ele delimita o critério de escolha. Em seguida, é preciso observar o comando da questão, o propósito comunicativo do texto e a diferença entre uma alternativa que apenas repete palavras do enunciado e outra que explica o efeito de sentido solicitado. A alternativa A deve ser compreendida como resultado dessa leitura, não como uma escolha isolada. As alternativas incorretas costumam explorar associações parciais, conclusões apressadas ou palavras familiares que não resolvem o problema central.
Conhecimentos para questões semelhantes
Para resolver questões desse tipo com segurança, é importante dominar inferência, coesão, coerência, gêneros discursivos, relação texto-contexto e análise de linguagem verbal, visual e digital. Esse domínio permite reconhecer padrões de raciocínio, avaliar a pertinência das alternativas e construir uma resposta alinhada ao objetivo pedagógico da questão.
Como estudar a questão 12 do ENEM 2017
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