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Concordância

Concordância verbal e nominal em diferentes construções.

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Publicado em 22/08/2026

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Dois sistemas modulares conectam núcleos e termos dependentes em versões singular e plural

Concordância é a relação pela qual uma palavra ajusta sua forma a outra. Na concordância nominal, artigos, pronomes, numerais, adjetivos e predicativos podem variar de acordo com o núcleo nominal. Na concordância verbal, o verbo se ajusta ao núcleo do sujeito em número e pessoa.

Ideia central: não concorde com a palavra mais próxima. Localize primeiro o termo que controla a relação.

O que você precisa saber

Compare:

  • A proposta revisada chegou.
  • As propostas revisadas chegaram.

Ao passar o núcleo proposta para o plural, mudam as formas que dependem dele no grupo nominal — a, revisada — e muda o verbo cujo sujeito tem esse núcleo — chegou. A relação continua a mesma; as marcas de número tornam essa relação visível.

Este tópico reúne concordância nominal e verbal porque ambas exigem o mesmo raciocínio: encontrar o controlador, delimitar o alcance da relação e só então escolher a flexão. Ele pressupõe o reconhecimento de Substantivo, Adjetivo, Pronome e Verbo.

O foco é a norma-padrão usada em textos monitorados e em questões de prova. A língua falada apresenta variação legítima, mas uma questão normativa normalmente pede a relação prevista no padrão formal e deve ser resolvida a partir da estrutura apresentada.

Conceitos fundamentais

Mapa compara concordância nominal e verbal

Controlador e termo dependente

Em vez de decorar listas isoladas, pense em duas funções:

  • controlador: termo cujas propriedades orientam a concordância;
  • dependente: termo que manifesta a flexão exigida pela relação.

Em aquelas duas propostas novas, o núcleo nominal é propostas. O artigo, o pronome demonstrativo, o numeral e o adjetivo pertencem ao grupo e assumem formas compatíveis. Em as propostas chegaram, o núcleo do sujeito é propostas e o verbo vai ao plural.

O controlador nem sempre é a palavra imediatamente anterior:

A relação entre os documentos permanece clara.

O sujeito é a relação entre os documentos. Seu núcleo é relação, no singular. Documentos pertence ao complemento introduzido por entre e não controla o verbo. O plural permanecem seria atração indevida pelo termo mais próximo.

Concordância nominal

A regra geral é: as formas variáveis relacionadas a um nome concordam com ele em gênero e número.

  • o relatório completo;
  • a planilha completa;
  • os relatórios completos;
  • as planilhas completas.

A relação pode ocorrer dentro do grupo nominal ou por meio de predicativo:

  • As servidoras atentas revisaram o texto.
  • As servidoras permaneceram atentas.
  • Consideraram as planilhas corretas.

O predicativo concorda com o termo ao qual atribui uma propriedade. Antes de flexioná-lo, descubra de quem se declara essa propriedade.

Concordância verbal

A regra geral é: o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito.

  • Eu revisei.
  • Nós revisamos.
  • O candidato chegou.
  • Os candidatos chegaram.

Pessoa do discurso e forma gramatical não são sempre idênticas. Pronomes de tratamento e você dirigem-se ao interlocutor, mas exigem verbo de terceira pessoa:

  • Você recebeu o comprovante?
  • Vossa Excelência decidirá o recurso.

Se houver predicativo referente à pessoa tratada, o gênero acompanha o referente: Senhora Ministra, Vossa Excelência está convidada.

Como identificar ou aplicar

Fluxo em cinco etapas para testar a concordância

1. Localize a forma que precisa ser ajustada

É verbo? Procure o sujeito. É artigo, pronome, numeral, adjetivo ou predicativo? Procure o nome ao qual a forma se refere.

2. Delimite o grupo e encontre o núcleo

Reduza temporariamente expansões e termos intercalados:

A divulgação dos resultados preliminares ocorrerá amanhã.

Retirando dos resultados preliminares, resta a divulgação ocorrerá. O núcleo singular fica evidente.

3. Faça um teste de número ou gênero

Troque o controlador e observe quais formas precisam acompanhá-lo:

  • o documento anexadoas certidões anexadas;
  • a equipe decidiuas equipes decidiram.

Esse teste revela a rede de dependências sem depender apenas da intuição sonora.

4. Verifique se há uma regra especial

Pergunte:

  • o sujeito é composto?
  • há expressão partitiva ou percentual?
  • o verbo é impessoal?
  • existe pronome relativo?
  • a construção contém se?
  • o adjetivo se refere a mais de um núcleo?
  • a palavra analisada é adjetivo variável ou advérbio invariável?

5. Releia estrutura e sentido

Algumas alternativas são formalmente possíveis, mas destacam controladores diferentes. Em a maioria dos candidatos chegou/chegaram, o singular realça o conjunto; o plural, seus integrantes. Quando a gramática admite as duas formas, a questão precisa oferecer informação estrutural ou semântica que favoreça uma delas.

Concordância nominal na prática

Um adjetivo e mais de um substantivo

Com adjetivo depois de substantivos de gêneros diferentes, o masculino plural é a solução abrangente tradicional:

Foram revisados o relatório e a planilha.

Em certas construções, também ocorre concordância com o termo mais próximo, sobretudo quando a relação é inequívoca:

O órgão enviou relatórios e planilhas revisadas.

Aqui, revisadas liga-se mais naturalmente apenas a planilhas. Se a intenção for caracterizar ambos, relatórios e planilhas revisados elimina a dúvida no padrão tradicional. Clareza é parte da correção: quando duas leituras competem, reescrever costuma ser melhor que explorar o limite da regra.

Com adjetivo antes de vários nomes, é comum a concordância com o mais próximo:

  • nova planilha e relatório;
  • novo relatório e planilha.

Nomes próprios e designações de parentesco coordenados podem favorecer o plural: os talentosos Ana e Luís; as dedicadas mãe e filha.

Predicativo de sujeito composto

Quando a propriedade recai sobre todos os núcleos, o predicativo vai ao plural:

  • O relatório e a planilha estavam corretos.
  • A planilha e a certidão estavam corretas.

Se os núcleos têm gêneros diferentes, o masculino plural é a forma não marcada na tradição normativa. Reformulações podem evitar que essa convenção apague informação relevante: A planilha e o relatório estavam sem erros.

Palavras que variam e palavras que não variam

O contexto e a classe determinam a flexão:

FormaUso variávelUso invariável
meiomeia página, numeralmeio cansadas, advérbio = um pouco
bastantebastantes argumentos = muitosargumentos bastante claros = muito
eles ficaram sós = sozinhossó eles ficaram = somente
mesmoelas mesmas revisaram = própriasmesmo cansadas, revisaram = ainda que
anexoseguem anexas as planilhasem anexo é locução invariável

Obrigado concorda com quem agradece: uma mulher diz obrigada; um homem, obrigado. Quite concorda com o referente: o servidor está quite; os servidores estão quites.

É proibido, é necessário, é bom

Quando o substantivo aparece em sentido geral, sem determinante, a expressão costuma permanecer no masculino singular:

  • É proibido entrada.
  • É necessário cautela.
  • Água é bom para hidratar.

Com determinante, a concordância torna-se visível:

  • É proibida a entrada.
  • É necessária muita cautela.
  • A água é boa para hidratar.

Não aplique a regra por uma palavra isolada; observe se o nome está determinado e como a construção foi organizada.

Concordância verbal na prática

Sujeito simples distante do verbo

Termos intercalados não alteram o núcleo:

A lista de documentos exigidos foi atualizada.

O núcleo é lista. O plural documentos exigidos pertence a outro grupo. Uma técnica eficiente é substituir todo o sujeito por um pronome: Ela foi atualizada.

Sujeito composto

Quando o sujeito composto aparece antes do verbo, a regra geral pede plural:

A clareza e a precisão orientam a redação.

Quando aparece depois, admitem-se o plural e, em contextos previstos pela tradição, a concordância com o núcleo mais próximo:

  • Chegaram o recurso e os anexos.
  • Chegou o recurso e os anexos.

O plural é a escolha mais transparente quando os dois núcleos praticam a ação. A concordância com o mais próximo não autoriza ignorar um sujeito composto anteposto.

Com pessoas gramaticais diferentes, a primeira pessoa prevalece: Eu e os colegas revisamos. No português brasileiro, construções com tu combinado a terceira pessoa frequentemente aparecem na terceira pessoa do plural, mas uma prova pode adotar a hierarquia tradicional conforme a variedade e a norma indicada.

Núcleos ligados por ou, nem e com

Com ou, o sentido decide:

  • exclusão: O diretor ou a coordenadora assinará o documento — apenas um;
  • inclusão: O diretor ou a coordenadora poderão apresentar sugestões — ambos podem fazê-lo.

Com nem, o plural é comum quando todos os núcleos são negados: Nem o prazo nem o conteúdo foram alterados. Expressões fixas como nem um nem outro tendem ao singular.

Com com, diferencie adição de companhia:

  • A coordenadora com os revisores aprovaram o textocom equivale a e;
  • A coordenadora, com os revisores, aprovou o texto — o trecho intercalado expressa companhia; o núcleo é coordenadora.

Pontuação e sentido ajudam a delimitar a estrutura, mas não substituem a análise.

Coletivos e expressões partitivas

Um coletivo singular normalmente controla verbo singular:

A comissão decidiu.

Em expressões como a maioria de, grande parte de, metade de, seguidas de termo plural, singular e plural podem ser aceitos:

  • A maioria dos inscritos compareceu — foco no conjunto;
  • A maioria dos inscritos compareceram — foco nos indivíduos.

Sem complemento plural, o verbo concorda com o partitivo: A maioria compareceu. Evite tratar toda ideia de pluralidade como sujeito gramatical plural.

Porcentagens e quantidades aproximadas

Com porcentagem, observe o numeral e o termo que a especifica:

  • Um por cento dos inscritos faltou/faltaram — há possibilidade de concordância conforme o elemento destacado em descrições normativas;
  • Trinta por cento dos inscritos faltaram — numeral e especificador estão no plural;
  • Este 1% dos inscritos definirá o resultado — o determinante singular fixa a concordância com o percentual.

Expressões como cerca de, mais de, menos de não são o núcleo; o verbo acompanha a quantidade: Cerca de vinte candidatos chegaram; Mais de um candidato chegou. Há casos especiais de reciprocidade e repetição com mais de um, mas não se deve transformar a exceção em regra geral.

Pronome relativo que e quem

Com que sujeito, o verbo concorda com o antecedente:

  • Fui eu que redigi o parecer.
  • Fomos nós que redigimos o parecer.

Com quem, a terceira pessoa do singular é a solução tradicional, e também se registra concordância com o antecedente:

  • Fui eu quem redigiu o parecer.
  • Fui eu quem redigi o parecer.

Em um dos que, o plural é preferido quando o relativo retoma o conjunto: Ela é uma das candidatas que apresentaram recurso. Algumas tradições admitem o singular para destacar o indivíduo; a interpretação precisa ser explicitada.

Verbos impessoais

Verbo impessoal não tem sujeito e permanece na terceira pessoa do singular.

Haver com sentido de existir ou de tempo decorrido:

  • Havia dúvidas no enunciado.
  • Há três meses começou o curso.
  • Deve haver alternativas corretas.

O auxiliar também fica no singular: deve haver, não devem haver. Quando haver é auxiliar de outro verbo, comporta-se normalmente: Os candidatos haviam estudado.

Fazer indicando tempo decorrido ou condição meteorológica:

  • Faz dois anos que estudo.
  • Vai fazer três meses desde a inscrição.
  • Fez dias muito frios.

Não confunda com usos pessoais: Os alunos fizeram duas revisões.

O se e a concordância

Comparação entre voz passiva sintética e indeterminação do sujeito

Há dois padrões essenciais.

Voz passiva sintética: o verbo concorda

Com verbo transitivo direto ou direto e indireto, o termo paciente pode ser sujeito:

  • Publicou-se o editalO edital foi publicado;
  • Publicaram-se os editaisOs editais foram publicados;
  • Concederam-se bolsas aos estudantesBolsas foram concedidas aos estudantes.

Se a transformação em passiva analítica funciona e preserva a relação, o termo paciente controla a concordância.

Índice de indeterminação: o verbo fica no singular

Com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o se indetermina o sujeito e o verbo fica na terceira pessoa do singular:

  • Precisa-se de revisores.
  • Confia-se nos resultados.
  • Vive-se bem naquela cidade.
  • Era-se mais cauteloso naquele período.

Em precisa-se de revisores, de revisores é complemento preposicionado, não sujeito. A forma precisam-se de revisores mistura os dois padrões.

Exemplos comentados

Exemplo 1 — termo próximo não é núcleo

A sequência de atividades propostas exige atenção.

O sujeito inteiro é a sequência de atividades propostas. O núcleo é sequência. Por isso, exige fica no singular. Propostas concorda com atividades, não com sequência.

Exemplo 2 — mudança em rede

Aquela questão complexa foi anulada.

No plural: Aquelas questões complexas foram anuladas. A alteração de questão modifica pronome, adjetivo, auxiliar e particípio. O exemplo mostra concordância nominal dentro do sujeito e do predicativo, além da verbal.

Exemplo 3 — sujeito posposto

Faltam ao processo duas assinaturas.

Pergunte: o que falta? Duas assinaturas. O sujeito está depois do verbo, mas continua plural. A posição não transforma ao processo em controlador.

Exemplo 4 — verbo impessoal

Podem haver mudanças no cronograma.

Na norma-padrão, a forma adequada é pode haver mudanças. Haver equivale a existir e é impessoal; o auxiliar permanece no singular. Compare podem existir mudanças, pois existir tem sujeito plural.

Exemplo 5 — se

Analisa-se os pedidos em ordem cronológica.

Analisar é transitivo direto e os pedidos pode ser sujeito paciente: Os pedidos são analisados. A concordância padrão é Analisam-se os pedidos. Em Precisa-se de documentos, a preposição impede a mesma transformação e o singular permanece.

Exemplo 6 — palavra variável ou invariável

As candidatas estavam meias preocupadas.

No sentido de um pouco, meio é advérbio e não varia: meio preocupadas. Em meias páginas, é numeral e acompanha páginas.

Como aparece em provas

Questões de concordância costumam exigir operações, não apenas a repetição de uma regra:

  1. localizar o sujeito em ordem inversa ou separado do verbo;
  2. alterar singular para plural e ajustar toda a cadeia;
  3. substituir um núcleo e avaliar quais formas mudam;
  4. comparar duas concordâncias admitidas e seus focos;
  5. reconhecer verbos impessoais em locuções;
  6. distinguir passiva sintética de sujeito indeterminado;
  7. verificar se a correção gramatical foi preservada em uma reescrita.

Em reescritas, não confira apenas o verbo destacado. Uma mudança de número pode alcançar determinantes, adjetivos, pronomes, particípios e outros verbos relacionados ao mesmo referente.

Um roteiro curto ajuda:

  • circule a forma avaliada;
  • sublinhe o controlador;
  • risque mentalmente expansões intercaladas;
  • teste singular/plural;
  • procure regra especial;
  • releia o sentido da alternativa completa.

Pegadinhas frequentes

Concordar por proximidade

Em o conjunto de medidas foi aprovado, medidas está mais perto, mas conjunto é o núcleo. Proximidade é indício fraco; dependência sintática decide.

Confundir ideia plural com forma plural

Equipe, multidão, comissão designam vários seres, mas são substantivos singulares. A concordância neutra parte da forma do núcleo, sem ignorar construções especiais documentadas.

Colocar todo haver no singular

Somente o haver impessoal, no sentido de existir ou tempo decorrido, segue essa regra. Em os candidatos haviam chegado, ele é auxiliar e concorda normalmente.

Manter todo verbo com se no singular

Se houver sujeito paciente, o verbo concorda: vendem-se livros. Com complemento preposicionado e sujeito indeterminado, fica no singular: precisa-se de livros.

Flexionar advérbio como adjetivo

Meio, bastante, só e mesmo podem pertencer a classes diferentes. Descubra o sentido e a função antes de flexionar.

Tratar possibilidade como obrigação

Partitivos, alguns relativos e sujeito composto posposto podem admitir mais de uma forma. Uma alternativa possível não se torna automaticamente a única correta. Leia o comando: ele pode pedir correção, preferência, manutenção de sentido ou justificativa.

Separar concordância de clareza

Uma construção no limite da regra pode permanecer ambígua. Em texto próprio, prefira reescrever: em vez de relatórios e planilhas revisadas quando ambos foram revisados, use relatórios revisados e planilhas revisadas ou documentos revisados.

Resumo para revisão

  • Concordância é relação entre controlador e termo dependente.
  • Nominal: gênero e número dentro do grupo nominal ou no predicativo.
  • Verbal: número e pessoa entre sujeito e verbo.
  • Núcleo controla; termo próximo pode ser apenas complemento.
  • Sujeito composto anteposto normalmente leva o verbo ao plural.
  • Partitivos podem admitir singular ou plural conforme o foco e a estrutura.
  • Haver = existir/tempo e fazer = tempo são impessoais.
  • Na passiva com se, o verbo concorda com o sujeito paciente.
  • Com se indeterminador, o verbo fica na terceira pessoa do singular.
  • Classe e sentido decidem se meio, bastante, só e mesmo variam.
  • Quando houver mais de uma forma aceita, explique o controlador e o efeito de foco.

Próximos passos

Retome Verbo para revisar pessoa, número, vozes e locuções; Substantivo e Adjetivo para consolidar os núcleos e dependentes nominais; Pronome para pessoas do discurso e tratamentos; e Numeral para estruturas quantitativas.

Avance para Regência, que não trata de ajustar flexões, mas de compreender como verbos e nomes selecionam complementos e preposições.

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