Simulya

Pronome

Pronomes, referenciação e relações com as pessoas do discurso.

13 min de leitura

Publicado em 22/08/2026

Seu progresso

0%

Núcleos conectados a formas geométricas representam participantes, referentes e retomadas no discurso

Pronome é a classe de palavras que participa da construção da referência: pode representar um nome ou grupo nominal, acompanhá-lo, apontar para participantes da comunicação ou relacionar uma informação a outra. Em Marina revisou o texto e ela o enviou, ela retoma Marina e o recupera o texto.

Ideia central: pronome não é apenas “a palavra que substitui o nome”. Ele também situa pessoas, indica posse, aponta referentes, expressa indefinição, formula perguntas e conecta orações.

O que você precisa saber

Compare:

  • Esta candidata apresentou o recurso.esta acompanha o substantivo;
  • Esta apresentou o recurso.esta ocupa o núcleo do grupo nominal;
  • Ela apresentou o recurso.ela representa uma participante identificável;
  • Alguém apresentou o recurso.alguém cria referência indefinida.

Na terminologia escolar brasileira, fala-se em pronome adjetivo quando a forma acompanha um substantivo e em pronome substantivo quando ocupa a posição do núcleo. Descrições linguísticas atuais podem chamar algumas formas acompanhantes de determinantes. Em provas, identifique a tradição adotada, mas preserve a diferença estrutural: acompanhar não é o mesmo que substituir ou ocupar o núcleo.

Este conteúdo aprofunda Classes de palavras e dialoga com Artigo e Numeral dentro do grupo nominal.

Pessoas do discurso

Relação entre primeira, segunda e terceira pessoas do discurso

  • primeira pessoa: quem fala — eu, no singular; nós, no plural;
  • segunda pessoa: com quem se fala — tu, no singular; vós, no plural;
  • terceira pessoa: de quem ou do que se fala — ele, ela, eles, elas.

No português brasileiro, você e vocês normalmente designam o interlocutor, mas exigem verbo e pronomes átonos de terceira pessoa no padrão formal: você trouxe seu documento?; vocês se inscreveram. Isso distingue papel no discurso de forma de concordância.

A gente pode equivaler semanticamente a nós em usos brasileiros, mas, no padrão formal, combina-se com verbo na terceira pessoa do singular: a gente estudou. A mistura a gente estudamos é estigmatizada na norma-padrão, embora ocorra em variedades da fala.

Referência: anáfora, catáfora e dêixis

Comparação entre anáfora, catáfora e dêixis

Anáfora ocorre quando a expressão recupera algo anterior:

A comissão publicou o resultado. Ela também divulgou as notas.

Catáfora ocorre quando a expressão antecipa algo apresentado depois:

Isto é essencial: revisar o edital.

Dêixis depende da situação de fala:

Eu entregarei este documento aqui amanhã.

Para interpretar eu, este, aqui e amanhã, é preciso saber quem fala, onde e quando. Um mesmo pronome pode ser textual em um enunciado e dêitico em outro.

Referência mal construída gera ambiguidade:

Paula avisou Renata de que seu recurso fora aceito.

O possessivo seu pode apontar para Paula ou Renata. Se a distinção importa, reescreva: o recurso de Paula ou o recurso de Renata.

As principais subclasses

Mapa das seis principais subclasses de pronomes e suas funções

Pronomes pessoais

Pronomes pessoais identificam os participantes do discurso e apresentam formas diferentes conforme o emprego sintático.

Formas retas

As formas eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas aparecem tipicamente como sujeito ou predicativo:

  • Eu revisei o texto.
  • Os responsáveis somos nós.

Formas oblíquas átonas

As formas me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes ligam-se fonologicamente ao verbo e exercem funções de complemento ou participam de construções pronominais:

  • A banca me respondeu.
  • Eu o consultei.o retoma algo masculino singular como o edital;
  • Eu lhe enviei o documento. — no padrão tradicional, lhe marca complemento introduzido por a ou para;
  • Ela se inscreveu.

As formas o, a, os, as podem sofrer alteração depois de certas terminações verbais:

  • revisar + orevisá-lo;
  • fiz + ofi-lo;
  • põem + aspõem-nas.

A posição desses pronomes antes, no interior ou depois do verbo pertence ao estudo específico de colocação pronominal. Aqui, o objetivo é reconhecer forma, referente e função.

Formas oblíquas tônicas

As formas mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, ele/ela, nós, conosco, vós, convosco, eles/elas aparecem geralmente depois de preposição:

  • para mim;
  • entre mim e você;
  • com ela;
  • consigo.

Eu ou mim?

Use eu quando o pronome for sujeito de um infinitivo:

  • Este material é para eu estudareu pratica a ação de estudar.

Use mim quando for complemento da preposição e não sujeito:

  • Este material é para mim;
  • Entre mim e você não há dúvida.

A frase para mim estudar não pertence ao padrão formal porque mim não funciona como sujeito. Já em é difícil para mim estudar à noite, há análises e leituras em que para mim se associa a difícil; reescrever como para mim, é difícil estudar à noite elimina a dúvida.

Si e consigo

Si e consigo são reflexivos de terceira pessoa no padrão tradicional:

  • Ela falou de si.
  • O candidato trouxe consigo os documentos.

Em eu trouxe o documento comigo, usa-se comigo, não consigo, porque o referente é a primeira pessoa.

Pronomes de tratamento

Formas como você, senhor, senhora, Vossa Excelência dirigem-se ao interlocutor, mas pedem concordância de terceira pessoa:

  • Vossa Excelência decidirá.
  • O senhor deseja assinar?

Na tradição protocolar, Vossa é usado ao dirigir-se à autoridade; Sua, ao falar sobre ela: Vossa Excelência analisará; Sua Excelência analisou. O tratamento adequado depende do contexto institucional e de normas atualizadas do órgão.

Pronomes possessivos

Possessivos relacionam algo às pessoas do discurso:

Pessoa relacionadaFormas principais
primeira do singularmeu, minha, meus, minhas
segunda do singularteu, tua, teus, tuas
terceiraseu, sua, seus, suas
primeira do pluralnosso, nossa, nossos, nossas
segunda do pluralvosso, vossa, vossos, vossas

Eles concordam com a coisa possuída, não com o possuidor: um homem pode dizer minha inscrição; várias candidatas podem dizer nosso resultado se resultado estiver no singular.

Posse é apenas um dos valores possíveis:

  • meu livro — relação de posse;
  • meu amigo — relação social;
  • minha cidade — pertencimento ou origem;
  • Joana levantou a mão — partes do corpo frequentemente dispensam possessivo quando a referência é clara.

Seu/sua pode ser ambíguo porque se relaciona a ele, ela, eles, elas, você, vocês e formas de tratamento. Use dele/dela quando precisar esclarecer, observando que a troca também pode alterar estilo e ênfase.

Pronomes demonstrativos

Demonstrativos localizam referentes no espaço, no tempo e no próprio texto:

SérieFormas variáveisFormas invariáveisValor básico tradicional
primeiraeste, esta, estes, estasistopróximo de quem fala
segundaesse, essa, esses, essasissopróximo do interlocutor
terceiraaquele, aquela, aqueles, aquelasaquilodistante de ambos

No tempo, este tende a associar-se ao presente — este ano — e aquele, a período distante — naquela época. Esse pode retomar tempo próximo já mencionado.

No texto, a tradição recomenda:

  • este/isto para antecipar: Só desejo isto: aprovação;
  • esse/isso para retomar: A prova foi adiada. Isso alterou o cronograma;
  • este e aquele para distinguir dois termos anteriores: Português e Matemática exigem estratégias diferentes; esta demanda cálculo, aquele, leitura cuidadosa.

No português brasileiro real, esse frequentemente ocupa também o espaço de este, sobretudo na fala. Em questões normativas, verifique se a banca cobra a distinção tradicional; em interpretação, observe o uso efetivo e a clareza referencial.

Também têm valor demonstrativo o, a, os, as quando equivalem a aquele(s), aquela(s), aquilo:

  • Escolhi o que estava completo = aquele que estava completo.

Não confunda esse uso com o artigo definido que acompanha um substantivo expresso.

Pronomes indefinidos

Indefinidos referem-se à terceira pessoa de modo vago, indeterminado ou quantitativamente impreciso: alguém, ninguém, algo, nada, tudo, algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, qualquer, vários, cada.

O contexto e a posição podem mudar o valor:

  • certa resposta — uma resposta não identificada ou determinada;
  • resposta certacerta é adjetivo, com sentido de correta;
  • qualquer candidato pode participar — generalização;
  • um candidato qualquer — indivíduo não particularizado, às vezes com nuance depreciativa conforme o contexto;
  • todo candidato — cada candidato, leitura distributiva;
  • todo o conteúdo — conteúdo inteiro.

Algumas formas são invariáveis, como alguém, ninguém, tudo, nada, cada; outras concordam com o nome: algumas questões, muitos recursos, nenhumas provas — esta última forma é gramatical, embora rara em muitos usos.

Pronomes interrogativos

Que, quem, qual/quais, quanto/quanta/quantos/quantas formulam perguntas diretas ou indiretas:

  • Quem chegou?
  • Qual conteúdo você revisou?
  • Não sei quem chegou.
  • Perguntei quantas vagas havia.

Pergunta indireta não leva necessariamente ponto de interrogação. A classe depende da função interrogativa, não da pontuação.

Que pode acompanhar substantivo — que matéria? — e qual pode representar uma escolha — qual prefere?. Em descrições atuais, formas acompanhantes podem receber o nome de determinantes interrogativos.

Pronomes relativos

Relativos retomam um antecedente e introduzem uma oração que o caracteriza ou delimita:

Li o edital que foi publicado.

Que retoma edital e exerce função dentro de que foi publicado: é sujeito de foi publicado. Para descobrir a função, reconstrua a oração com o antecedente: o edital foi publicado.

Que e o qual

Que é invariável e muito produtivo. O qual, a qual, os quais, as quais concordam com o antecedente e podem esclarecer a estrutura, sobretudo depois de preposições:

  • a norma a que obedecemos;
  • a norma à qual obedecemos;
  • o projeto sobre o qual conversamos.

A preposição não é escolhida pelo pronome, mas pela função exercida na oração: quem obedece, obedece a algo; quem conversa sobre um tema, conversa sobre algo.

Quem

Com antecedente expresso, quem refere-se normalmente a pessoa e costuma vir precedido de preposição:

  • a servidora a quem entreguei o documento;
  • o colega de quem recebi a mensagem.

Sem antecedente expresso, pode equivaler a “a pessoa que”: Quem estuda com constância progride. Não substitua automaticamente que por quem apenas porque o antecedente é humano.

Cujo

Cujo, cuja, cujos, cujas estabelecem relação de posse ou pertencimento entre o antecedente e o substantivo seguinte:

  • a candidata cujo recurso foi aceito;
  • a candidata cujas notas aumentaram.

O relativo concorda com o elemento possuído (recurso/notas), não com o antecedente (candidata). Não se usa artigo depois dele no padrão formal: cujo recurso, não cujo o recurso. A preposição aparece quando a função interna a exige: o projeto de cuja elaboração participei.

Onde

Onde retoma lugar, literal ou tratado como espaço:

  • a cidade onde nasci;
  • a sala onde ocorreu a prova.

Para antecedentes abstratos que não representam lugar, a norma tradicional prefere em que/no qual: a situação em que nos encontramos, e não a situação onde. Aonde associa-se a movimento com preposição a: a cidade aonde fomos. De onde/donde marca origem: a cidade de onde viemos.

A orientação do Ciberdúvidas sobre onde, em que e no qual reforça o valor locativo de onde na tradição normativa.

Pronome ou outra classe?

Artigo ou pronome

  • A candidata chegou.a acompanha substantivo: artigo;
  • Eu a encontrei.a retoma um grupo nominal: pronome pessoal;
  • Escolhi a que tinha experiência.a equivale a aquela: demonstrativo, seguido do relativo que.

Pronome ou adjetivo

  • certa pessoa telefonou — indefinição: pronome indefinido na tradição escolar;
  • a pessoa certa telefonou — propriedade “correta/adequada”: adjetivo.

Pronome ou advérbio

  • muitos candidatosmuitos acompanha substantivo e quantifica;
  • os candidatos estudaram muitomuito modifica o verbo e é advérbio, invariável.

Pronome relativo ou conjunção

  • O livro que comprei chegou.que retoma livro e exerce função em comprei o livro: relativo;
  • Afirmo que o livro chegou.que não retoma antecedente nem exerce função na oração introduzida: conjunção integrante.

Um método seguro de análise

  1. Localize a forma candidata. Não confie apenas em listas, pois várias formas pertencem a mais de uma classe.
  2. Veja se acompanha ou ocupa o núcleo. Isso separa emprego adjetivo/determinante de emprego substantivo.
  3. Recupere o referente. Está no texto, virá depois, depende da situação ou permanece indefinido?
  4. Identifique o valor. Pessoa, posse, demonstração, indefinição, pergunta ou relação?
  5. Teste a função e a regência. Especialmente com pessoais oblíquos e relativos.
  6. Verifique ambiguidade. Há mais de um antecedente possível? A reescrita mantém o sentido?

Exemplos comentados

“Os candidatos receberam as provas e as conferiram”

O primeiro as é artigo de provas. O segundo é pronome pessoal oblíquo e retoma as provas. A mesma forma gráfica exerce classes diferentes.

“Esta é a regra a que obedecemos”

Esta é demonstrativo empregado substantivamente. Que retoma regra, e a preposição a decorre da regência de obedecer: obedecemos a uma regra.

“O estudante contou ao professor que seu resultado melhorou”

Seu pode referir-se ao estudante ou ao professor. Sem contexto, há ambiguidade. A clareza exige explicitar o resultado do estudante ou o resultado do professor.

“Ninguém informou quantas vagas restavam”

Ninguém é indefinido; quantas é interrogativo em pergunta indireta. Uma frase sem ponto de interrogação pode conter pronome interrogativo.

Armadilhas frequentes

  • Pronome não apenas substitui substantivo: também o acompanha, aponta e relaciona.
  • Você designa interlocutor, mas combina-se formalmente com terceira pessoa.
  • Mim não é sujeito de infinitivo no padrão: para eu fazer.
  • Possessivos concordam com a coisa relacionada, não com o possuidor.
  • Esse e este apresentam variação real de uso; reconheça a regra tradicional sem ignorar o contexto.
  • Cujo concorda com o substantivo seguinte e não admite artigo depois de si.
  • Onde é preferencialmente locativo na norma-padrão.
  • Pronome relativo exerce função dentro da oração; conjunção integrante não retoma antecedente.
  • A colocação de me, te, se, o, lhe é assunto próprio e não se resolve apenas identificando a classe.

Síntese para revisão

  • Pessoais organizam participantes; possessivos, relações com eles.
  • Demonstrativos localizam no espaço, tempo ou texto.
  • Indefinidos constroem referência vaga ou quantidade imprecisa.
  • Interrogativos formulam perguntas diretas ou indiretas.
  • Relativos retomam antecedente e exercem função na oração que introduzem.
  • Anáfora olha para trás; catáfora, para frente; dêixis, para a situação.
  • Forma igual não garante classe igual: estrutura, referente e contexto decidem.
  • Clareza referencial importa tanto quanto classificação.

Próximos passos

Avance para Verbo, necessário para analisar flexões, concordância e formas pessoais, e para Preposição, essencial para a regência dos relativos e para o contraste entre mim e eu. Colocação pronominal trata de próclise, ênclise e mesóclise. Consolide também Artigo, Numeral e Classes de palavras.

Referências para aprofundamento

Organize seus estudos

Salve este conteúdo ou registre a conclusão da leitura.

Simulya

Plataforma educacional para praticar questões, fazer simulados e acompanhar o desempenho com mais clareza. Estude com direção, revise prioridades e evolua com constância.

Começar praticandoCriar conta grátis

Disponível como App Web

Um ciclo de estudo mais claro

A Simulya conecta prática, análise de desempenho e revisão direcionada para ajudar você a decidir o próximo passo.

Pratique

Resolva questões para construir repertório e ritmo de prova.

Analise

Use acertos, erros e tentativas para entender onde revisar.

Evolua

Planeje o próximo estudo com base no seu histórico.


Ambiente educacional e informativo

A Simulya organiza conteúdos, questões e indicadores para apoiar sua rotina de estudos. As informações da plataforma não substituem editais, orientações oficiais ou acompanhamento pedagógico individual.


Copyright 2025–2026 Simulya. Todos os direitos reservados.

Produto educacional criado para prática, revisão e evolução.