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Verbo

Flexões, modos, tempos, vozes e formas nominais.

11 min de leitura

Publicado em 22/08/2026

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Forma geométrica transforma-se em uma linha temporal e ramifica-se em diferentes processos

Verbo é a classe de palavras que organiza um processo — ação, estado, mudança, ocorrência ou fenômeno — e pode situá-lo em relação ao tempo, à atitude do falante e aos participantes. Em os candidatos estudaram, estudaram expressa o processo e marca passado, indicativo, terceira pessoa e plural.

Ideia central: o verbo não é reconhecido apenas pelo sentido de “ação”. Flexão, posição na oração e relação com os participantes são critérios mais seguros.

Como reconhecer um verbo

Verbos podem expressar:

  • ação: a equipe analisou os recursos;
  • estado: a candidata permanece tranquila;
  • mudança: o resultado ficou disponível;
  • fenômeno: choveu durante a prova;
  • ocorrência ou existência: houve alterações.

O sentido sozinho falha. Corrida sugere ação, mas é substantivo; está não descreve ação, mas é verbo. Teste a flexão: analiso/analisamos/analisarei/analisaria. Verbos formam o núcleo do predicado e podem selecionar participantes e complementos.

Este tópico aprofunda Classes de palavras e pressupõe as pessoas do discurso estudadas em Pronome.

Estrutura da forma verbal

Decomposição da forma verbal estudávamos

Em uma análise escolar, a forma pode conter:

  • radical: concentra o significado lexical — estud-;
  • vogal temática: indica a conjugação — a em estudar;
  • tema: radical + vogal temática — estuda-;
  • desinência modo-temporal: informa modo e tempo — va no pretérito imperfeito do indicativo;
  • desinência número-pessoal: informa pessoa e número — mos em primeira pessoa do plural.

Assim, estudávamos pode ser segmentado didaticamente como estud-a-va-mos. Nem toda forma apresenta cada elemento de maneira transparente: irregularidades, fusões e alterações fonológicas exigem comparação com o paradigma.

As três conjugações

O infinitivo termina tipicamente em:

  • -ar: primeira conjugação — estudar, analisar;
  • -er: segunda — vender, fazer;
  • -ir: terceira — partir, decidir.

Pôr e seus derivados são tradicionalmente vinculados à segunda conjugação por sua história e por formas antigas relacionadas a poer. A conjugação orienta terminações, mas não determina se o verbo é regular.

Regular, irregular, anômalo, defectivo e abundante

Regular mantém radical e terminações do modelo: estudar → estudo, estudava, estudarei. Irregular apresenta alteração: fazer → faço, fiz, farei. A irregularidade pode ocorrer no radical, nas terminações ou em ambos.

Na tradição escolar:

  • anômalo possui paradigmas com alterações profundas, como ser e ir;
  • defectivo não é usado em todas as formas por restrições históricas, semânticas ou de uso;
  • abundante apresenta mais de uma forma equivalente, especialmente no particípio: aceitado/aceito, entregado/entregue.

O uso dos particípios varia por verbo e variedade. A regra antiga “forma regular com ter/haver e irregular com ser/estar” descreve tendências, não resolve todos os casos contemporâneos. Consulte fonte lexical quando houver dúvida.

Pessoa e número

As marcas verbais relacionam-se ao sujeito:

PessoaSingularPlural
primeiraeu estudonós estudamos
segundatu estudasvós estudais
terceiraele/ela/você estudaeles/elas/vocês estudam

O sujeito pode estar oculto porque a forma verbal e o contexto o recuperam: Chegamos cedo indica primeira pessoa plural. Em formas iguais, o contexto decide: eu estudava e ela estudava compartilham terminação.

Pessoa e número preparam o estudo da concordância, mas casos como sujeito composto, coletivo, porcentagem e construções com se pertencem à página específica.

Modo: a perspectiva sobre o processo

Mapa comparativo dos modos indicativo, subjuntivo e imperativo

Indicativo

Apresenta o processo como fato, informação assumida ou cenário considerado pelo falante:

  • O edital foi publicado.
  • A prova começa amanhã.

Não significa “certeza absoluta”. Uma previsão pode aparecer no indicativo — choverá amanhã — porque o modo marca a forma de apresentação, não garante a verdade.

Subjuntivo

É frequente em hipóteses, desejos, avaliações, finalidades e situações dependentes:

  • Talvez o resultado saia hoje.
  • Se eu estudasse mais, teria segurança.
  • Espero que todos sejam aprovados.

Também não equivale simplesmente a “dúvida”. Certas estruturas e conjunções selecionam o subjuntivo mesmo quando a intenção é clara: para que todos participem.

Imperativo

Expressa ordem, pedido, conselho, convite ou instrução:

  • Leia o enunciado.
  • Não se precipite.
  • Vamos revisar.

O efeito depende de entonação, contexto e marcas de cortesia. A forma gramatical imperativa pode soar como recomendação, não apenas comando.

Tempos do indicativo

Presente

Pode indicar o momento da fala, hábito, verdade geral, narrativa ou futuro próximo:

  • Estou pronto agora.
  • Estudo todos os dias.
  • A água ferve a determinada temperatura.
  • Amanhã começo a revisão.

Pretérito perfeito

Apresenta geralmente o processo como concluído e delimitado: A banca publicou o resultado ontem. Na forma composta brasileira — tem publicado — costuma indicar repetição ou continuidade até o presente, não simples passado concluído.

Pretérito imperfeito

Constrói hábito, duração, simultaneidade, descrição ou cortesia no passado: eu estudava à noite; enquanto lia, anotava; eu queria uma informação.

Pretérito mais-que-perfeito

Situa um processo anterior a outro passado: Quando cheguei, a prova já começara. A forma simples é mais literária ou formal; já tinha começado é comum no português brasileiro.

Futuro do presente

Pode marcar posterioridade, previsão, promessa ou hipótese sobre o presente: O resultado sairá amanhã; Onde estará o fiscal agora?

Futuro do pretérito

Pode indicar consequência condicionada, posterioridade em relação ao passado, hipótese ou cortesia: Eu faria o recurso se houvesse fundamento; disse que retornaria; você poderia ajudar?

Tempos do subjuntivo

  • presente: Espero que ele estude.
  • pretérito imperfeito: Se ele estudasse, avançaria.
  • futuro: Quando ele estudar, compreenderá.

Não confunda futuro do subjuntivo com infinitivo pessoal em formas iguais: quando eles estudarem expressa condição temporal futura; para eles estudarem é infinitivo pessoal introduzido por preposição. A estrutura da oração decide.

Tempo verbal e tempo cronológico

Forma e sentido temporal não mantêm relação rígida. O presente pode narrar o passado — Em 1822, o Brasil declara a independência — ou indicar futuro — viajo amanhã. O futuro do pretérito pode expressar polidez, e o imperfeito pode suavizar um pedido.

Em interpretação, identifique:

  1. a forma morfológica;
  2. o ponto temporal construído;
  3. o efeito discursivo naquele gênero e contexto.

Aspecto verbal

Aspecto mostra como o processo é observado internamente: concluído, em curso, habitual, iniciado, repetido ou resultante. Compare:

  • leu o edital — processo delimitado;
  • lia o edital — processo em desenvolvimento ou habitual;
  • está lendo — curso no momento relevante;
  • começou a ler — início;
  • voltou a ler — repetição;
  • acabou de ler — término recente.

Tempo localiza; aspecto configura o desenvolvimento. A mesma faixa temporal pode receber perspectivas diferentes.

Formas nominais

As formas nominais não marcam por si, de modo completo, tempo e modo; dependem da construção.

Infinitivo

Apresenta o processo sem ancoragem plena: estudar, vender, partir. Pode aproximar-se de um substantivo — o estudar exige disciplina — e formar orações: é necessário revisar.

O português possui infinitivo pessoal:

  • para eu estudar;
  • para nós estudarmos;
  • por eles chegarem cedo.

A flexão explicita o sujeito quando isso contribui para clareza, contraste ou autonomia da oração. Infinitivo impessoal e pessoal dependem da construção; não há regra única baseada apenas na existência de sujeito.

Gerúndio

Termina em -ndo e é invariável: estudando, vendendo, partindo. Pode indicar processo em curso, simultaneidade, modo, causa ou condição:

  • estava estudando;
  • entrou sorrindo;
  • estudando com método, você evolui.

O chamado “gerundismo” não é o uso do gerúndio em si, mas o emprego excessivo ou inadequado de perífrases como vou estar encaminhando quando uma forma simples seria mais clara. Em contextos de duração real — durante a tarde, estarei analisando os recursos — a perífrase pode ser legítima.

Particípio

Apresenta frequentemente resultado ou estado decorrente: estudado, vendido, partido. Com ter/haver, participa de tempos compostos e tende a permanecer invariável: elas tinham estudado. Na passiva ou em uso adjetival, concorda: as provas foram corrigidas; questões corrigidas.

A explicação do Ciberdúvidas sobre formas nominais destaca justamente a dependência contextual do infinitivo, do gerúndio e do particípio.

Locuções verbais

Uma locução ou perífrase reúne auxiliar e verbo principal em forma nominal. O auxiliar concentra flexão; o principal preserva o conteúdo lexical:

  • tinha estudado — tempo composto;
  • está estudando — processo em curso;
  • vai estudar — futuro ou intenção;
  • deve estudar — obrigação ou probabilidade, conforme contexto;
  • começou a estudar — início;
  • foi aprovado — voz passiva.

Nem toda sequência de dois verbos é locução. Em gosta de estudar, gostar conserva sentido pleno e seleciona uma oração como complemento. Teste o grau de integração semântica e sintática, não apenas a proximidade.

Vozes verbais

Transformação entre voz ativa, passiva e reflexiva

Voz ativa

O sujeito ocupa a posição sintática de maior destaque, frequentemente como agente:

A banca corrigiu as provas.

Mas sujeito de ativa não é sempre agente: A candidata recebeu a notícia. A voz é categoria sintática; o papel semântico pode ser experienciador, alvo ou causa.

Passiva analítica

O objeto direto da ativa torna-se sujeito paciente; o agente pode aparecer ou ser omitido:

As provas foram corrigidas pela banca.

O tempo e o modo ficam no auxiliar ser; o particípio concorda com o sujeito. Somente verbos que admitem objeto direto formam normalmente esse tipo de passiva.

Passiva sintética

Forma-se com verbo transitivo direto ou direto e indireto + se apassivador:

Corrigiram-se as provas.

As provas é sujeito e, no padrão formal, o verbo concorda no plural. Compare precisa-se de revisores: como precisar de exige preposição, a análise tradicional considera sujeito indeterminado e verbo no singular, não passiva.

Reflexiva e recíproca

Na reflexiva, o processo recai sobre o próprio sujeito: A candidata se feriu; o reforço a si mesma é possível. Na recíproca, participantes atuam mutuamente: Os colegas se cumprimentaramum ao outro.

Nem todo verbo com se é reflexivo. Em ela se arrependeu, o pronome integra o verbo pronominal; não significa que ela “arrependeu a si mesma”.

Verbos de ligação e predicação

Verbos como ser, estar, permanecer, ficar, parecer, continuar podem ligar o sujeito a uma característica:

  • A prova estava difícil.
  • O candidato permaneceu calmo.

A classificação depende do uso. Em o candidato ficou em casa, ficou indica permanência/localização e a análise sintática pode diferir. Não classifique uma lista inteira como “de ligação” sem examinar o predicado.

Verbos significativos podem ser intransitivos, transitivos diretos, indiretos ou diretos e indiretos conforme os complementos que selecionam. Esse assunto será aprofundado em Regência.

Um método seguro de análise

  1. Localize a forma ou o conjunto verbal.
  2. Encontre infinitivo, radical e conjugação quando isso ajudar.
  3. Identifique pessoa, número, tempo e modo.
  4. Interprete o valor temporal e aspectual no contexto.
  5. Verifique se há auxiliar e qual contribuição ele oferece.
  6. Analise sujeito, complementos e voz.
  7. Compare possíveis reescritas sem presumir que conservam foco e efeito.

Exemplos comentados

“Amanhã entrego o recurso”

Entrego está morfologicamente no presente do indicativo, mas o advérbio amanhã produz leitura futura. Forma verbal e tempo cronológico não são idênticos.

“Talvez tenham divulgado o resultado”

Tenham divulgado é forma composta do presente do subjuntivo. Talvez favorece a apresentação não assertiva; o particípio permanece invariável com ter.

“Vendem-se apostilas”

Na análise normativa tradicional, há passiva sintética: apostilas são vendidas. O verbo concorda com o sujeito plural.

“Trabalha-se bem aqui”

Não há objeto direto que possa virar sujeito paciente. O se indetermina o sujeito e o verbo fica na terceira pessoa singular.

Armadilhas frequentes

  • Verbo não expressa apenas ação.
  • Tempo morfológico não corresponde sempre ao tempo cronológico.
  • Indicativo não garante certeza; subjuntivo não significa apenas dúvida.
  • Toda sequência de verbos não é locução verbal.
  • Particípio com ter/haver é invariável; em passiva, concorda com o sujeito.
  • Todo se não indica passiva nem reflexividade.
  • Voz passiva não é sinônimo de sujeito “sofrer” semanticamente.
  • Verbo de ligação depende do emprego, não de lista fixa.
  • Concordância e regência exigem análise própria além da identificação verbal.

Síntese

  • O verbo organiza processos e concentra flexões.
  • Radical traz base lexical; terminações marcam categorias gramaticais.
  • Indicativo, subjuntivo e imperativo constroem perspectivas diferentes.
  • Presente, passados e futuros assumem valores contextuais variados.
  • Aspecto mostra início, curso, repetição, conclusão ou resultado.
  • Infinitivo, gerúndio e particípio são formas nominais.
  • Auxiliar + forma nominal pode constituir locução verbal.
  • Voz reorganiza participantes e foco sintático.
  • Forma, estrutura e contexto devem ser analisados juntos.

Próximos passos

Avance para Advérbio, que mostra como circunstâncias, graus, focos e avaliações modificam o processo verbal. Concordância aprofunda pessoa e número; Regência, a seleção dos complementos; Colocação pronominal, a posição dos clíticos. Retome também Pronome e Classes de palavras.

Referências

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