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Função quadrática

Parábola, vértice, raízes e aplicações de funções quadráticas.

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Publicado em 26/08/2026

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Saídas simétricas formam uma parábola com um ponto mínimo central

Ao lançar uma bola para cima, sua altura primeiro aumenta, atinge um máximo e depois diminui. Ao variar os lados de um retângulo com perímetro fixo, a área também cresce até um ponto ótimo e volta a cair. Com frequência, comportamentos desse tipo são modelados por uma função quadrática.

Ideia central: uma função quadrática tem a forma f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c, com a0a\ne0, e seu gráfico é uma parábola.

O que é função quadrática

A forma geral é

f(x)=ax2+bx+c,f(x)=ax^2+bx+c,

em que aa, bb e cc são reais e a0a\ne0.

A condição a0a\ne0 é indispensável. Se a=0a=0, desaparece o termo de grau 2 e resta uma Função afim ou constante.

Exemplos de funções quadráticas:

f(x)=x24x+3,f(x)=x^2-4x+3,

g(x)=2x2+8,g(x)=-2x^2+8,

h(x)=12x2+3x1.h(x)=\frac12x^2+3x-1.

O domínio natural de uma função quadrática real é R\mathbb{R}, pois polinômios podem ser calculados para qualquer número real. Em problemas, o domínio contextual pode ser menor.

Anatomia da parábola

O gráfico possui elementos que se conectam à expressão algébrica:

  • concavidade: direção para a qual a parábola se abre;
  • vértice: ponto de mínimo ou máximo;
  • eixo de simetria: reta vertical que passa pelo vértice;
  • zeros ou raízes: entradas em que f(x)=0f(x)=0;
  • intercepto vertical: ponto (0,c)(0,c).

Parábola com vértice, eixo de simetria, raízes e intercepto vertical identificados

A parábola não é formada apenas por esses pontos: eles servem como referências para compreender e esboçar a curva.

Concavidade e abertura

O sinal de aa determina a concavidade:

  • se a>0a>0, a parábola se abre para cima e o vértice é um mínimo;
  • se a<0a<0, abre-se para baixo e o vértice é um máximo.

O módulo a|a| influencia a abertura. Comparadas no mesmo sistema:

  • y=3x2y=3x^2 parece mais estreita que y=x2y=x^2;
  • y=14x2y=\frac14x^2 parece mais larga que y=x2y=x^2.

O coeficiente não altera apenas um desenho: ele multiplica os afastamentos verticais em relação ao vértice. Não se deve concluir que uma parábola “mais fechada” possui domínio menor; todas continuam definidas para qualquer real.

Eixo de simetria e vértice

Na forma geral, a coordenada horizontal do vértice é

xv=b2a.x_v=-\frac{b}{2a}.

A coordenada vertical vem da própria função:

yv=f(xv).y_v=f(x_v).

Para f(x)=x26x+5f(x)=x^2-6x+5, temos a=1a=1 e b=6b=-6:

xv=621=3,x_v=-\frac{-6}{2\cdot1}=3,

yv=f(3)=918+5=4.y_v=f(3)=9-18+5=-4.

Logo, o vértice é V=(3,4)V=(3,-4) e o eixo de simetria é a reta x=3x=3. Como a>0a>0, o valor 4-4 é o mínimo da função.

O eixo também fica exatamente no ponto médio entre duas raízes reais distintas:

xv=x1+x22.x_v=\frac{x_1+x_2}{2}.

As três formas algébricas

A mesma função pode aparecer em formas que destacam informações diferentes.

Forma geral

f(x)=ax2+bx+c.f(x)=ax^2+bx+c.

Evidencia os coeficientes, a concavidade e o intercepto (0,c)(0,c).

Forma fatorada

Quando existem raízes reais x1x_1 e x2x_2:

f(x)=a(xx1)(xx2).f(x)=a(x-x_1)(x-x_2).

Evidencia os zeros. Se a raiz é dupla, escrevemos f(x)=a(xx1)2f(x)=a(x-x_1)^2.

Forma canônica

f(x)=a(xxv)2+yv.f(x)=a(x-x_v)^2+y_v.

Evidencia o vértice e facilita a leitura do máximo ou mínimo e da imagem.

Forma geral, fatorada e canônica associadas respectivamente a coeficientes, raízes e vértice

Por exemplo,

x26x+5=(x1)(x5)=(x3)24.x^2-6x+5=(x-1)(x-5)=(x-3)^2-4.

As três expressões descrevem a mesma parábola. A primeira mostra c=5c=5; a segunda, raízes 1 e 5; a terceira, vértice (3,4)(3,-4).

Interceptos e discriminante

O intercepto vertical é imediato:

f(0)=c.f(0)=c.

Os interceptos horizontais resolvem

ax2+bx+c=0.ax^2+bx+c=0.

O discriminante Δ=b24ac\Delta=b^2-4ac indica quantos encontros existem com o eixo xx:

  • Δ>0\Delta>0: duas raízes reais distintas e dois interceptos;
  • Δ=0\Delta=0: uma raiz real dupla; a parábola toca o eixo no vértice;
  • Δ<0\Delta<0: nenhuma raiz real; a parábola não encontra o eixo.

Três parábolas relacionam discriminante positivo, nulo e negativo a dois, um ou nenhum intercepto real

Os métodos para calcular as raízes — fatoração, completamento de quadrados e fórmula resolutiva — estão desenvolvidos em Equação do segundo grau. Aqui, a raiz interessa principalmente como ponto do gráfico e limite entre intervalos de sinal.

Como esboçar uma parábola

Considere f(x)=x2+4x+5f(x)=-x^2+4x+5.

  1. Concavidade: a=1<0a=-1<0, então abre para baixo.
  2. Eixo: xv=4/(21)=2x_v=-4/(2\cdot-1)=2.
  3. Vértice: yv=f(2)=4+8+5=9y_v=f(2)=-4+8+5=9, então V=(2,9)V=(2,9).
  4. Intercepto vertical: (0,5)(0,5).
  5. Zeros: x2+4x+5=0-x^2+4x+5=0, equivalendo a x24x5=0x^2-4x-5=0, cujas raízes são 1-1 e 55.

Os pontos (1,0)(-1,0) e (5,0)(5,0) são simétricos em relação a x=2x=2. O ponto (0,5)(0,5) tem como espelho (4,5)(4,5). Com esses elementos, traçamos uma curva suave e simétrica.

Uma tabela também ajuda, mas escolher entradas simétricas ao redor de xvx_v produz uma verificação mais eficiente.

Crescimento e decrescimento

O vértice divide o comportamento da função.

Se a>0a>0:

  • a função decresce para x<xvx<x_v;
  • atinge o mínimo em x=xvx=x_v;
  • cresce para x>xvx>x_v.

Se a<0a<0, ocorre o inverso: cresce antes do vértice e decresce depois dele.

Uma função quadrática não possui taxa de variação constante. Para passos iguais em xx, as primeiras diferenças das saídas mudam; em tabelas com passos constantes, as segundas diferenças são constantes. Essa é uma forma de distinguir o padrão quadrático do padrão afim.

Domínio e imagem

Sem restrição contextual:

Df=R.D_f=\mathbb{R}.

A imagem depende do vértice e da concavidade:

  • se a>0a>0, Im(f)=[yv,+)\operatorname{Im}(f)=[y_v,+\infty);
  • se a<0a<0, Im(f)=(,yv]\operatorname{Im}(f)=(-\infty,y_v].

Para f(x)=(x2)27f(x)=(x-2)^2-7, o vértice é (2,7)(2,-7) e a parábola abre para cima. Portanto,

Im(f)=[7,+).\operatorname{Im}(f)=[-7,+\infty).

Em um modelo válido apenas para 0x100\le x\le10, domínio e imagem devem ser recalculados nesse intervalo; não basta usar automaticamente toda a parábola.

Estudo do sinal

O estudo do sinal pergunta onde o gráfico está acima, sobre ou abaixo do eixo horizontal.

Considere f(x)=x25x+6=(x2)(x3)f(x)=x^2-5x+6=(x-2)(x-3). Como a>0a>0 e as raízes são 2 e 3:

  • f(x)>0f(x)>0 para x<2x<2 ou x>3x>3;
  • f(x)=0f(x)=0 em x=2x=2 e x=3x=3;
  • f(x)<0f(x)<0 para 2<x<32<x<3.

Se a<0a<0, os sinais se invertem. Se não há raízes reais, o sinal não muda: será sempre o mesmo sinal de aa. Isso conecta gráfico, fatoração e Inequações.

Máximo e mínimo em problemas

Um terreno retangular encosta em um muro e dispõe de 40 m de cerca para os outros três lados. Se xx é a largura perpendicular ao muro, o lado paralelo mede 402x40-2x. A área é

A(x)=x(402x)=2x2+40x.A(x)=x(40-2x)=-2x^2+40x.

O contexto exige 0<x<200<x<20. Como a=2<0a=-2<0, há um máximo no vértice:

xv=402(2)=10.x_v=-\frac{40}{2(-2)}=10.

Então o outro lado mede 402(10)=2040-2(10)=20 e

A(10)=1020=200 m2.A(10)=10\cdot20=200\text{ m}^2.

A resposta completa não é apenas “10”: as dimensões são 10 m por 20 m, e a área máxima é 200 m².

Encontrando a função pelo vértice e um ponto

Uma parábola tem vértice (2,3)(2,-3) e passa por (4,5)(4,5). Use a forma canônica:

f(x)=a(x2)23.f(x)=a(x-2)^2-3.

Substituindo (4,5)(4,5):

5=a(42)23,5=a(4-2)^2-3,

8=4aa=2.8=4a\Rightarrow a=2.

Logo,

f(x)=2(x2)23.f(x)=2(x-2)^2-3.

O vértice sozinho não determina uma única parábola: ainda é necessário conhecer aa ou outro ponto.

Erros frequentes

  • Esquecer a condição a0a\ne0.
  • Confundir coeficiente cc com raiz da função.
  • Usar xv=b/(2a)x_v=-b/(2a) e não calcular yv=f(xv)y_v=f(x_v).
  • Dizer que xvx_v é o máximo ou mínimo; o valor extremo é yvy_v e ocorre em xvx_v.
  • Determinar a concavidade pelo sinal de bb em vez do sinal de aa.
  • Achar que parábola mais estreita possui domínio menor.
  • Aplicar a fórmula das raízes quando a pergunta pede apenas concavidade ou vértice.
  • Desenhar a parábola sem respeitar o eixo de simetria.
  • Ignorar que Δ<0\Delta<0 significa ausência de zeros reais, não ausência de função.
  • Desconsiderar as restrições do contexto em problemas de máximo ou mínimo.

Síntese

  • Função quadrática tem forma f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c, com a0a\ne0.
  • Seu gráfico é uma parábola; o sinal de aa determina a concavidade.
  • O eixo é x=b/(2a)x=-b/(2a) e o vértice é (xv,f(xv))(x_v,f(x_v)).
  • A forma geral evidencia coeficientes; a fatorada, raízes; a canônica, vértice.
  • O discriminante indica se há dois, um ou nenhum intercepto horizontal real.
  • O vértice fornece mínimo quando a>0a>0 e máximo quando a<0a<0.
  • Domínio natural é R\mathbb{R}; a imagem começa ou termina em yvy_v.
  • Raízes e concavidade permitem estudar o sinal.
  • Em aplicações, unidades e domínio contextual fazem parte da resposta.

Próximos passos

A trilha segue para Função exponencial e logaritmos, em que a variação passa a ser multiplicativa. Antes disso, revise Equação do segundo grau se ainda houver dificuldade em determinar raízes.

Referências

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