
Ao lançar uma bola para cima, sua altura primeiro aumenta, atinge um máximo e depois diminui. Ao variar os lados de um retângulo com perímetro fixo, a área também cresce até um ponto ótimo e volta a cair. Com frequência, comportamentos desse tipo são modelados por uma função quadrática.
Ideia central: uma função quadrática tem a forma , com , e seu gráfico é uma parábola.
O que é função quadrática
A forma geral é
em que , e são reais e .
A condição é indispensável. Se , desaparece o termo de grau 2 e resta uma Função afim ou constante.
Exemplos de funções quadráticas:
O domínio natural de uma função quadrática real é , pois polinômios podem ser calculados para qualquer número real. Em problemas, o domínio contextual pode ser menor.
Anatomia da parábola
O gráfico possui elementos que se conectam à expressão algébrica:
- concavidade: direção para a qual a parábola se abre;
- vértice: ponto de mínimo ou máximo;
- eixo de simetria: reta vertical que passa pelo vértice;
- zeros ou raízes: entradas em que ;
- intercepto vertical: ponto .

A parábola não é formada apenas por esses pontos: eles servem como referências para compreender e esboçar a curva.
Concavidade e abertura
O sinal de determina a concavidade:
- se , a parábola se abre para cima e o vértice é um mínimo;
- se , abre-se para baixo e o vértice é um máximo.
O módulo influencia a abertura. Comparadas no mesmo sistema:
- parece mais estreita que ;
- parece mais larga que .
O coeficiente não altera apenas um desenho: ele multiplica os afastamentos verticais em relação ao vértice. Não se deve concluir que uma parábola “mais fechada” possui domínio menor; todas continuam definidas para qualquer real.
Eixo de simetria e vértice
Na forma geral, a coordenada horizontal do vértice é
A coordenada vertical vem da própria função:
Para , temos e :
Logo, o vértice é e o eixo de simetria é a reta . Como , o valor é o mínimo da função.
O eixo também fica exatamente no ponto médio entre duas raízes reais distintas:
As três formas algébricas
A mesma função pode aparecer em formas que destacam informações diferentes.
Forma geral
Evidencia os coeficientes, a concavidade e o intercepto .
Forma fatorada
Quando existem raízes reais e :
Evidencia os zeros. Se a raiz é dupla, escrevemos .
Forma canônica
Evidencia o vértice e facilita a leitura do máximo ou mínimo e da imagem.

Por exemplo,
As três expressões descrevem a mesma parábola. A primeira mostra ; a segunda, raízes 1 e 5; a terceira, vértice .
Interceptos e discriminante
O intercepto vertical é imediato:
Os interceptos horizontais resolvem
O discriminante indica quantos encontros existem com o eixo :
- : duas raízes reais distintas e dois interceptos;
- : uma raiz real dupla; a parábola toca o eixo no vértice;
- : nenhuma raiz real; a parábola não encontra o eixo.

Os métodos para calcular as raízes — fatoração, completamento de quadrados e fórmula resolutiva — estão desenvolvidos em Equação do segundo grau. Aqui, a raiz interessa principalmente como ponto do gráfico e limite entre intervalos de sinal.
Como esboçar uma parábola
Considere .
- Concavidade: , então abre para baixo.
- Eixo: .
- Vértice: , então .
- Intercepto vertical: .
- Zeros: , equivalendo a , cujas raízes são e .
Os pontos e são simétricos em relação a . O ponto tem como espelho . Com esses elementos, traçamos uma curva suave e simétrica.
Uma tabela também ajuda, mas escolher entradas simétricas ao redor de produz uma verificação mais eficiente.
Crescimento e decrescimento
O vértice divide o comportamento da função.
Se :
- a função decresce para ;
- atinge o mínimo em ;
- cresce para .
Se , ocorre o inverso: cresce antes do vértice e decresce depois dele.
Uma função quadrática não possui taxa de variação constante. Para passos iguais em , as primeiras diferenças das saídas mudam; em tabelas com passos constantes, as segundas diferenças são constantes. Essa é uma forma de distinguir o padrão quadrático do padrão afim.
Domínio e imagem
Sem restrição contextual:
A imagem depende do vértice e da concavidade:
- se , ;
- se , .
Para , o vértice é e a parábola abre para cima. Portanto,
Em um modelo válido apenas para , domínio e imagem devem ser recalculados nesse intervalo; não basta usar automaticamente toda a parábola.
Estudo do sinal
O estudo do sinal pergunta onde o gráfico está acima, sobre ou abaixo do eixo horizontal.
Considere . Como e as raízes são 2 e 3:
- para ou ;
- em e ;
- para .
Se , os sinais se invertem. Se não há raízes reais, o sinal não muda: será sempre o mesmo sinal de . Isso conecta gráfico, fatoração e Inequações.
Máximo e mínimo em problemas
Um terreno retangular encosta em um muro e dispõe de 40 m de cerca para os outros três lados. Se é a largura perpendicular ao muro, o lado paralelo mede . A área é
O contexto exige . Como , há um máximo no vértice:
Então o outro lado mede e
A resposta completa não é apenas “10”: as dimensões são 10 m por 20 m, e a área máxima é 200 m².
Encontrando a função pelo vértice e um ponto
Uma parábola tem vértice e passa por . Use a forma canônica:
Substituindo :
Logo,
O vértice sozinho não determina uma única parábola: ainda é necessário conhecer ou outro ponto.
Erros frequentes
- Esquecer a condição .
- Confundir coeficiente com raiz da função.
- Usar e não calcular .
- Dizer que é o máximo ou mínimo; o valor extremo é e ocorre em .
- Determinar a concavidade pelo sinal de em vez do sinal de .
- Achar que parábola mais estreita possui domínio menor.
- Aplicar a fórmula das raízes quando a pergunta pede apenas concavidade ou vértice.
- Desenhar a parábola sem respeitar o eixo de simetria.
- Ignorar que significa ausência de zeros reais, não ausência de função.
- Desconsiderar as restrições do contexto em problemas de máximo ou mínimo.
Síntese
- Função quadrática tem forma , com .
- Seu gráfico é uma parábola; o sinal de determina a concavidade.
- O eixo é e o vértice é .
- A forma geral evidencia coeficientes; a fatorada, raízes; a canônica, vértice.
- O discriminante indica se há dois, um ou nenhum intercepto horizontal real.
- O vértice fornece mínimo quando e máximo quando .
- Domínio natural é ; a imagem começa ou termina em .
- Raízes e concavidade permitem estudar o sinal.
- Em aplicações, unidades e domínio contextual fazem parte da resposta.
Próximos passos
A trilha segue para Função exponencial e logaritmos, em que a variação passa a ser multiplicativa. Antes disso, revise Equação do segundo grau se ainda houver dificuldade em determinar raízes.